A prevenção de fraturas em pessoas idosas é diretamente relacionada à prevenção de quedas, que na maioria dos casos ocorre na própria casa do idoso. Desta forma, pretendo enumerar os principais riscos de quedas em pessoas idosas, e na próxima postagem falarei sobre os cuidados que devemos tomar na organização doméstica e pessoal para que possamos evitar este sério problema de saúde pública que causa tanto transtorno às famílias.
Porquê o idoso cai mais?
1- Sedentarismo: A falta de exercício físico atrofia a musculatura da pessoa mais velha, musculatura esssa que já sofre uma atrofia natural com a idade.
2- Déficit neuropsicomotor: 78% dos idosos com deficiência neuromuscular têm quedas graves, sendo que após os 60 anos há perda de 30 a 40 % da força muscular.
3- Perda de Massa Óssea: Ocorre naturalmente com o avanço da idade, favorece a osteoporose que por sua vez provoca fraturas por traumas leves.
4- Degeneração da Cartilagem Articular: Processo de desgaste natural da cartilagem (superfície de revestimento de uma articulação), chamada de osteoartrose, que provoca mais rigidez, menos flexibilidade, facilitando as quedas.
5- Medicamentos: Substâncias de ação central, como benzodiazepínicos (calmantes que causam sedação e queda de pressão), hipnóticos (sedativos que aumentam em 5 vezes o risco de quedas), diuréticos (usados para baixar a pressão), e o álcool que relaciono aqui pois aumenta muito o risco de queda, potencializa o efeito dos medicamentos e a perda óssea.
6- Obstáculos em Casa: Tapetes, chão encerado, degraus e desníveis entre ambientes são verdadeiras armadilhas para a pessoa idosa. acrescente-se a issso o banheiro sem adaptações (suportes para a pessoa segurar-se), e trajetos pouco iluminados.
7- Organização da Mobília: Móveis dispostos no caminho entre o idoso e o banheiro ( a pessoa pode tropeçar), móveis pontiagudos, com quinas que podem ferir a pessoa devem ser evitados.
Dito isto, é hora de avaliar o local em que a pessoa idosa vive e chegar à conclusão que investir em modificações na casa é um gasto ínfimo comparado ao desgosto de termos um ente querido incapacitado.
Até a próxima postagem.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
Pronação Dolorosa
A pronação dolorosa é uma lesão frequente no cotovelo de crianças abaixo de 5 anos de idade, ocasionada pela tração da mão e do punho no sentido longitudinal, por exemplo ao segurarmos a criança pela mão para evitar uma queda (figura ao lado). Nesta idade a cabeça do rádio, osso lateral do antebraço, é envolta por um ligamento que encontra-se frouxo, permitindo seu deslocamento ao ser tracionado. A criança chora ao tentarem vesti-la, aos movimentos do braço, e evita usá-lo. Geralmente o Rx é pouco esclarecedor, sendo o diagnóstico estabelecido pela história e pelo exame físico. O interessante é que, muitas vezes ao pedirmos Rx do cotovelo, o técnico de Rx ao posicionar o braço pode muitas vezes sem saber colocar o osso de volta no lugar. A criança chora neste momento, angustiando seus pais.
Ao ser avaliado pelo ortopedista, este explica aos pais que o procedimento de redução (colocar o osso no lugar) é bastante simples, mas a criança sentirá uma breve dor e irá chorar, mas logo em seguida o choro passará e a criança voltará a usar o braço. A manobra de redução é realizada pelo ortopedista, que sente um pequeno estalido quando a cabeça do rádio retorna à sua posição anatômica.
Eu, particularmente, sempre imobilizo depois desta manobra, para evitar uma dor residual. Explico aos pais que a criança em algumas horas irá "destruir" a imobilização, justamente por estar sem dor, e nesse momento os pais poderão remover a imobilização.
Agora, o mais importante na pronação dolorosa é evitá-la, orientando os pais, babás, familiares, irmãos maiores, que até os 5 anos de idade nunca se puxa a criança pela mão, nunca se traciona o cotovelo.
Ao ser avaliado pelo ortopedista, este explica aos pais que o procedimento de redução (colocar o osso no lugar) é bastante simples, mas a criança sentirá uma breve dor e irá chorar, mas logo em seguida o choro passará e a criança voltará a usar o braço. A manobra de redução é realizada pelo ortopedista, que sente um pequeno estalido quando a cabeça do rádio retorna à sua posição anatômica.
Eu, particularmente, sempre imobilizo depois desta manobra, para evitar uma dor residual. Explico aos pais que a criança em algumas horas irá "destruir" a imobilização, justamente por estar sem dor, e nesse momento os pais poderão remover a imobilização.
Agora, o mais importante na pronação dolorosa é evitá-la, orientando os pais, babás, familiares, irmãos maiores, que até os 5 anos de idade nunca se puxa a criança pela mão, nunca se traciona o cotovelo.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Dicas de Postura
Recomeçando as postagens, vejo como fundamental dar algumas orientações de postura uma vez que no dia a dia do consultório percebo que muitos dos problemas ortopédicos estão relacionados direta ou indiretamente aos desvios posturais ou ao menos com o desleixo com a postura individual.
A principal causa das dores no pescoço e na cintura escapular (parte que envolve os ombros e as escápulas) é o uso inadequado do computador, onde a pessoa que estuda, pesquisa ou digita não posiciona o monitor no nível do horizonte visual, tendo que olhar para baixo ou para cima por períodos prolongados, causando sobrecarga e consequente contratura da musculatura do pescoço, cujos sintomas são dor em queimação, sensação de ardência e até fincadas no local. Colabora para piorar a dor a má posição dos membros superiores, que devem ter apoiados antebraços e cotovelos na mesa ou em um suporte para poupar a musculatura que sustenta os mesmos.
Ao permanecermos sentados temos que escolher uma cadeira com apoios para braços, apoio dorsal e lombar, e mais importante ainda, um estrado ou caixa aproximadamente da altura de um tijolo para os pés. A altura correta permitirá que os joelhos fiquem um pouco mais alto que os quadris, retificando a região lombar evitando dor e cansaço local.
Ao fazermos tarefas em pé também devemos ter um suporte na altura de um tijolo ou pouco mais alto conforme a escolha da pessoa, para que apoiemos um dos pés, poupando assim a sobrecarga lombar (evitando sobrecarga nos discos lombares), usando os quadris ao movimento do tronco.
Evitem ver TV na cama, ler na cama, ou posições com a cabeça muito forçada para o lado, pois causam contraturas e torcicolo.
Os alongamentos também são importantes, recomendo fazê-los ao deitar, antes de levantar e após longos períodos sem mudança de posição.
A principal causa das dores no pescoço e na cintura escapular (parte que envolve os ombros e as escápulas) é o uso inadequado do computador, onde a pessoa que estuda, pesquisa ou digita não posiciona o monitor no nível do horizonte visual, tendo que olhar para baixo ou para cima por períodos prolongados, causando sobrecarga e consequente contratura da musculatura do pescoço, cujos sintomas são dor em queimação, sensação de ardência e até fincadas no local. Colabora para piorar a dor a má posição dos membros superiores, que devem ter apoiados antebraços e cotovelos na mesa ou em um suporte para poupar a musculatura que sustenta os mesmos.
Ao permanecermos sentados temos que escolher uma cadeira com apoios para braços, apoio dorsal e lombar, e mais importante ainda, um estrado ou caixa aproximadamente da altura de um tijolo para os pés. A altura correta permitirá que os joelhos fiquem um pouco mais alto que os quadris, retificando a região lombar evitando dor e cansaço local.
Ao fazermos tarefas em pé também devemos ter um suporte na altura de um tijolo ou pouco mais alto conforme a escolha da pessoa, para que apoiemos um dos pés, poupando assim a sobrecarga lombar (evitando sobrecarga nos discos lombares), usando os quadris ao movimento do tronco.
Evitem ver TV na cama, ler na cama, ou posições com a cabeça muito forçada para o lado, pois causam contraturas e torcicolo.
Os alongamentos também são importantes, recomendo fazê-los ao deitar, antes de levantar e após longos períodos sem mudança de posição.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Dor no Quadril da Criança - Doença de Legg-Calvé-Perthes
Uma das 3 causas de dor no quadril da criança citadas por mim em postagens anteriores, a doença de Legg-Calvé-Perthes é uma alteração circulatória da cabeça do fêmur em crescimento, de causa ainda não esclarecida, que acomete crianças dos 2 aos 12 anos, mais em meninos, e que pode levar a sérios danos no quadril com desgaste prematuro, marcha alterada e dolorosa, e encurtamento do membro inferior afetado.
Os sintomas são semelhantes aos descritos na sinovite transitória e na epifisiólise (em postagem anteriores) com dor, claudicação (mancar), perna encolhida para aliviar a dor.
O diagnóstico pode ser feito por Rx, onde vemos alteração da parte superior e lateral da cabeça do fêmur, causada por falta de aporte sanguíneo necrosando o osso. É uma alteração limitada, pois a circulação retorna algum tempo depois (de alguns meses a 2 anos), e a preocupação maior do ortopedista é que, enquanto não ocorre a cura desta necrose a cabeça do fêmur achata-se ficando deformada e incongruente com a articulação do quadril levando a dor e desgaste prematuro.
O tratamento visa evitar a deformidade da cabeça do fêmur (tirando apoio) e em casos que restaram com alguma incongruência, tentar através de cirurgia(s), melhorar a relação da cabeça com o acetábulo (nome do encaixe do quadril com o fêmur). Há cirurgias no quadril que além de melhorar essa relação com a cabeça, têm o objetivo de acelerar a cura pelo chamado "efeito biológico", onde a cirurgia causa uma reação do organismo melhorando o aporte de sangue para a região.
Aos pais, atenção na criança que manca, levem ao ortopedista o mais cedo possível, nem sempre a causa será "dor do crescimento".
Os sintomas são semelhantes aos descritos na sinovite transitória e na epifisiólise (em postagem anteriores) com dor, claudicação (mancar), perna encolhida para aliviar a dor.
O diagnóstico pode ser feito por Rx, onde vemos alteração da parte superior e lateral da cabeça do fêmur, causada por falta de aporte sanguíneo necrosando o osso. É uma alteração limitada, pois a circulação retorna algum tempo depois (de alguns meses a 2 anos), e a preocupação maior do ortopedista é que, enquanto não ocorre a cura desta necrose a cabeça do fêmur achata-se ficando deformada e incongruente com a articulação do quadril levando a dor e desgaste prematuro.
O tratamento visa evitar a deformidade da cabeça do fêmur (tirando apoio) e em casos que restaram com alguma incongruência, tentar através de cirurgia(s), melhorar a relação da cabeça com o acetábulo (nome do encaixe do quadril com o fêmur). Há cirurgias no quadril que além de melhorar essa relação com a cabeça, têm o objetivo de acelerar a cura pelo chamado "efeito biológico", onde a cirurgia causa uma reação do organismo melhorando o aporte de sangue para a região.
Aos pais, atenção na criança que manca, levem ao ortopedista o mais cedo possível, nem sempre a causa será "dor do crescimento".
terça-feira, 12 de abril de 2011
Dor no Quadril da Criança - Epifisiólise Proximal do Fêmur

Agora continuarei explicando sobre as dores no quadril das crianças. Já falei na sinovite transitória do quadril, agora falarei sobre a epifisiólise proximal do fêmur, para dar uma noção aos leitores deste blog. Existe na parte proximal (superior) do fêmur da criança uma placa ou epífise de crescimento que divide -na radiografia- a cabeça do fêmur. Esta placa se fecha na maturidade esquelética, mas até os 16, 17 anos está aberta, sendo responsável por uma parte do crescimento do fêmur. Entre 11 e 14 anos, pode haver um deslizamento desta placa, não se sabe porquê (existem teorias hormonais, genéticas, enfraquecimento da placa epifisária) causando uma deformidade no quadril afetado com dor e alteração da marcha da criança. Sabe-se que as crianças mais afetadas estão ao redor de 12 anos, sendo as crianças obesas maioria, quem sabe corroborando com a teoria hormonal. O que importa para os pais é saber que a criança começa com uma dor ao redor do quadril e/ou joelho, tende a ficar com a perna encolhida, "mancando". No Rx vemos a cabeça iniciando seu deslizamento (colocarei uma figura ao lado do texto a direita), sendo que nas primeiras radiografias pode não aparecer alteração. Aí é que entra o ortopedista experiente, que desconfia e orienta os pais a trazerem o filho para novo Rx se não aliviar o sintoma doloroso, explicando a possibilidade de haver este problema. Ao contrário da sinovite transitória, a epifisiólise é de tratamento cirúrgico, necessitando de fixação da cabeça do fêmur, cirurgia esta feita de maneira rápida com uma pequena incisão lateral no quadril. A placa epifisária é fixada no local, mesmo já deslizada, aguardando o final do crescimento para "remodelar". Se não fixada, a deformidade resultante pode ser grave causando artrose (desgaste) prematuro da articulação do quadril. Há ortopedistas que defendem fixar o outro quadril, mesmo sem estar afetado, para prevenir um futuro deslizamento. Isto é decidido conversando com os pais da criança. Em uma futura postagem falarei sobre a outra causa de dor no quadril da criança. Até lá.
quinta-feira, 17 de março de 2011
Dor no Quadril da Criança - Sinovite Transitória do Quadril
A Sinovite Transitória do Quadril é uma das 3 mais vistas em crianças no consultório, geralmente mais aos 6 anos (dos 3 aos 8 anos) de idade e, felizmente, além de ser a mais comum, é a alteração que não deixa sequelas. A sua importância reside no fato de causar, enquanto ativa, bastante dor e limitação nos movimentos do membro inferior afetado, e na diferenciação que o ortopedista tem que fazer com doenças mais graves, como doença de Legg-Perthes, artrite séptica, artrite reumatóide, febre reumática e outras.
A duração dos sintomas é limitada, resolvendo-se geralmente em 7 a 14 dias, mesmo sem tratamento. Geralmente o ortopedista receita um anti-inflamatório não esteróide para alívio dos sintomas.
A criança relata dor no quadril, coxa ou joelho, dificuldade para movimentar a perna afetada, que fica mais encolhida, pois é a posição de conforto das articulações. Há muitas vezes relação com uma virose (gripe, resfriado por exemplo), reação alérgica ou trauma, mas a causa exata ainda é desconhecida.
O quadril dói porque a reação chamada sinovite, causa derrame na articulação do quadril, e os exames de sangue e radiografias não mostram alteraçõe significativas.
Como falei, felizmente a cura é espontânea, não deixando sequelas.
A duração dos sintomas é limitada, resolvendo-se geralmente em 7 a 14 dias, mesmo sem tratamento. Geralmente o ortopedista receita um anti-inflamatório não esteróide para alívio dos sintomas.
A criança relata dor no quadril, coxa ou joelho, dificuldade para movimentar a perna afetada, que fica mais encolhida, pois é a posição de conforto das articulações. Há muitas vezes relação com uma virose (gripe, resfriado por exemplo), reação alérgica ou trauma, mas a causa exata ainda é desconhecida.
O quadril dói porque a reação chamada sinovite, causa derrame na articulação do quadril, e os exames de sangue e radiografias não mostram alteraçõe significativas.
Como falei, felizmente a cura é espontânea, não deixando sequelas.
quarta-feira, 9 de março de 2011
Dor no Quadril da Criança
É bastante comum no consultório do ortopedista a queixa de dor no quadril da criança. É um assunto muito importante, pois apesar de na maior parte dos casos tratar-se de uma dor temporária, há casos em que pode estar escondido atrás desta dor um sério problema podendo deixar sequelas graves para a criança.
As doenças que mais afetam o quadril das crianças são a "Sinovite Transitória do Quadril", a "Doença de Legg-Calvé-Perthes" e a "Epifisiólise Proximal do Femur", sendo que todas elas começam de modo semelhante, com poucas alterações, mas uma delas cura relativamente rápido, sem sequelas, e as duas últimas podem deixar o quadril alterado seriamente, causando problemas para o futuro. Falarei separadamente de cada uma delas em novas postagens, porque hoje o que quero é deixar salientada a importância de ficar atento a esta queixa.
O sintoma predominante é a criança ou responsável relatar dor ao caminhar, ao esticar a perna, levando a mão sobre o quadril ou o joelho. A dor do quadril costuma refletir-se no joelho do mesmo lado, por isto quando o ortopedista recebe uma criança com dor no joelho, examina (sempre) também o quadril. Os familiares contam que a criança começou a mancar há poucos dias, ficando em repouso com a perna levemente encolhida, com o quadril e joelho um pouco fletidos, evitando caminhar. Os pais muitas vezes achando que pode tratar-se de "dor do crescimento" ou de algum excesso no caso de crianças mais ativas, aguardam.
Quando seu filho(a) ou familiar relatar uma história semelhante, não espere muito, leve ao seu ortopedista! Vocês entenderão o porque nas próximas postagens.
As doenças que mais afetam o quadril das crianças são a "Sinovite Transitória do Quadril", a "Doença de Legg-Calvé-Perthes" e a "Epifisiólise Proximal do Femur", sendo que todas elas começam de modo semelhante, com poucas alterações, mas uma delas cura relativamente rápido, sem sequelas, e as duas últimas podem deixar o quadril alterado seriamente, causando problemas para o futuro. Falarei separadamente de cada uma delas em novas postagens, porque hoje o que quero é deixar salientada a importância de ficar atento a esta queixa.
O sintoma predominante é a criança ou responsável relatar dor ao caminhar, ao esticar a perna, levando a mão sobre o quadril ou o joelho. A dor do quadril costuma refletir-se no joelho do mesmo lado, por isto quando o ortopedista recebe uma criança com dor no joelho, examina (sempre) também o quadril. Os familiares contam que a criança começou a mancar há poucos dias, ficando em repouso com a perna levemente encolhida, com o quadril e joelho um pouco fletidos, evitando caminhar. Os pais muitas vezes achando que pode tratar-se de "dor do crescimento" ou de algum excesso no caso de crianças mais ativas, aguardam.
Quando seu filho(a) ou familiar relatar uma história semelhante, não espere muito, leve ao seu ortopedista! Vocês entenderão o porque nas próximas postagens.
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