domingo, 7 de abril de 2013

Fratura do Quadril no Idoso: Transtrocantéricas



Exemplo de Fratura Fixada
Tipos de Fraturas Trocanterianas












Fraturas transtrocantéricas ou transtrocanterianas são aquelas fraturas da extremidade superior do fêmur localizadas entre o trocânter maior (saliência óssea superior e lateral do fêmur) e o trocânter menor (pequena proeminência óssea do lado interno do fêmur superior) muito comuns no idoso devido ao enfraquecimento ósseo nesta região anatômica com o envelhecimento.
A osteoporose e o sedentarismo estão muito ligados a estas fraturas, geralmente ocorrendo numa queda domiciliar da própria altura, podendo a queda ocorrer num degrau, tapete ou piso escorregadio (recomendo ler a postagem sobre quedas nos idosos).
O quadro clínico é muito semelhante ao descrito para as fraturas do colo do fêmur embora a rotação externa do pé costume ser maior nas transtrocantéricas, além do hematoma também poder ser percebido na parte superior da coxa e na virilha.
Na figura acima à esquerda são mostrados exemplos de fraturas transtrocanterianas, classificadas conforme a gravidade e dificuldade para o tratamento, que geralmente é cirúrgico.
As fraturas transtrocanterianas consolidam ao redor dos 90 dias, podendo o tratamento ser conservador ou cirúrgico. O tratamento conservador (não cirúrgico) só é recomendado nos casos de pacientes sem condições clínicas de enfrentar um procedimento cirúrgico, ou naqueles casos em que o paciente e os familiares não aceitam submeter-se a uma cirurgia. Nestes raros casos, o tratamento pode ser feito com repouso no leito, auxiliado por uma tração cutânea instalada pelo ortopedista (que orienta os familiares como mantê-la), com controle através de Rx a cada 3 a 4 semanas para verificar a formação de calo ósseo, que normalmente começa a formar-se após 4 a 6 semanas. Com o início da consolidação a dor no quadril vai desaparecendo e permite-se sentar no leito, e até em poltrona. Os familiares e a pessoa vítima de fratura transtrocantérica que decidiu não operar devem estar cientes dos problemas desta escolha, que vão desde escaras (feridas nas nádegas e dorso pelo período prolongado no leito), tromboembolismo (formação de coágulos nas veias dos membros inferiores pela imobilização prolongada com risco de se desprenderem da parede da veia e atingir os pulmões, com risco de morte), consolidação viciosa (sempre ocorre no tratamento não cirúrgico, quando o osso consolida com algum grau de deformidade, geralmente encurtamento e alguma rotação externa do pé) e problemas respiratórios como pneumonias pelo acúmulo de secreção nos pulmões devido ao tempo demasiado deitado. Estes problemas são minimizados com ajuda de medicação, cuidados de enfermagem e de um fisioterapeuta no domicílio.
O tratamento mais recomendado é o cirúrgico, exemplificado na figura acima à direita, em que uma fratura foi fixada com o pino DHS, criado para este tipo de reconstrução. Com a fixação, embora existam os riscos naturais de uma anestesia e de uma cirurgia, as vantagens para a pessoa operada são enormes pois é permitido mover-se no leito com pouca ou nenhuma dor porque a fratura está fixada, a pessoa pode sentar no leito nos primeiros dias de pós- operatório e em seguida em poltrona, evitando os problemas pulmonares, escaras, e minimizando o risco de tromboembolismo. A cirurgia atualmente é mais rápida com menor perda sanguínea, e estatisticamente a mortalidade das pessoas vítimas destas fraturas é muito menor nos casos em que a pessoa opera e acelera a sua mobilização.
O ortopedista permite que a pessoa caminhe com muletas sem apoio do membro operado já com poucos dias de pós-operatório (quando a pessoa possui condições físicas para apoiar-se em muletas) sendo que a carga parcial é permitida após a visualização de calo no Rx )comumente 6 a 8 semanas com a carga total permitida após 90 dias, desde que confirmada a consolidação radiológica.